sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Escolha Profissional

Nos últimos tempos, as coisas andam más no meu local de trabalho. Os ordenados têm sido pagos tarde e a más horas e ainda não vi sinal do subsídio de Natal. Desde que voltei ao trabalho em Setembro que as coisas andam assim. O ambiente anda péssimo. A minha colega leva a vida a queixar-se. Diz que vai passar fome, que fica sem a casa e o diabo a quatro. Não é que para mim as coisas sejam diferentes. Existem sempre contas para pagar e não são poucas: o empréstimo da casa (350 euros), o empréstimo do carro (120 euros), o empréstimo dos móveis (30 euros), a escola da criança (90 euros) para além de todas as outras despesas normais de uma casa: água, luz, gás, tv cabo+telefone+internet.

Por causa destes tempos difíceis ando à procura de um sítio melhor. A verdade é que apesar de não gostar já tanto disto aqui, não me sinto a encaixar noutro sítio qualquer. E apesar de ter um curso superior, não me sinto com qualificações para muita coisa, o que é péssimo.

Cada dia que passa me arrependo mais da escolha "académica" que fiz. Podia ter procurado mais. Podia ter tentado escolher uma coisa na área de que gostava em vez de um mal menor, que foi o que escolhi. Agora estou encalhada aqui. Não tenho dinheiro para tirar outro curso superior, não tenho dinheiro para mestrados ou doutoramentos. Não encontro um CET que se aplique. Não encontro formações na área de que gosto.

E a cada dia que passa custa-me mais tudo. Sinto que falhei num objectivo de vida. Sinto que não vou conseguir atingir esse objectivo. Sinto que vou ficar aqui eternamente mesmo sem ter ordenados em dia.

Vai-me safando o meu hobby, o meu passatempo. Caminho mais próximo para o que gostava de fazer. Mas o tempo é escasso. Escasso demais.

Ser pobre é lixado.

Cumprimentos,

d'A Mãe que não tem férias.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mãe não tem férias

Não. Mãe não tem férias mesmo. A prova disso é que acabei de criar um blog que embora vá falar de mim identifica logo a minha condição (recente) de mãe de um ser pequeno e indefeso que veio alterar toda a minha vida.

Há oito meses que a minha vida mudou. E para além de todas aquelas merdas que se dizem - e que até são verdade! - que ser mãe é a melhor coisa do mundo - e é! - também traz alguns dissabores.

A vida passou a resumir-se a muito pouca coisa, que afinal é o mais importante. A criança, obviamente. Levantar, preparar a criança, levar a criança a escola, trabalhar, ir buscar criança a escola, brincar com a criança, preparar o jantar da criança, preparar a mochila da criança, dar o jantar a criança, dar banho a criança, adormecer a criança. A vida começa cerca das 20h. A vida que resta inclui fazer o jantar, jantar... e acaba. Porque o cansaço é tão grande que a vida começa às 20h e acaba as 22h30 em dias de sorte.

Olho-me no espelho e não gosto do que vejo. Do resultado final após 39 semanas e 4 dias de uma gravidez sem problemas e sem sobressaltos. O resultado foi uma barriguinha de 2 meses irritantemente persistente apesar do peso ser igual ao período que antecedeu a gravidez (planeiada e desejada, digo eu a quem se esteja a perguntar).

Exercício físico seria a solução. Sim. Concordo. Têm toda a razão. Não tenho vontade. Não gosto de me ver, mas não tenho vontade nenhuma. Não tenho tempo. Quando tenho tempo prefiro fazer outras coisas de que gosto, como ler ou dormir.

Estou portanto barriguda e, até há cerca de uma semana ou duas, andei peluda. Não havia dinheiro para ir até à esteticista. Até que me chamaram basicamente desleixada e comprei aquelas bandas de cera e fiz em casa. Não ficou profissional mas tirei a bigodaça e passei a ter duas sobrançelhas em vez de uma. Peguei numa gillette e tratei das pernas. Não é bonito fazer sombra ao Abominável Homem das Neves.

Ser mãe é lindo. É. Mas tenho saudades de mim própria, de dormir decentemente uma noite inteira sem a preocupação de me levantar para dar o biberão, para ver se respira, se não vomitou quando tossiu, se não se mijou até às orelhas ou pior. Tenho saudades de ver um filme sem 1500 momentos de pausa. De ter um final de tarde sossegado sem pensar em que roupa lhe vou mudar amanhã para a creche ou de que legume vai ser a sopa mais logo. Saudades de devorar um livro numa tarde. De estar horas no banho.

Cumprimentos,

d' A Mãe que não tem férias