segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mãe não tem férias

Não. Mãe não tem férias mesmo. A prova disso é que acabei de criar um blog que embora vá falar de mim identifica logo a minha condição (recente) de mãe de um ser pequeno e indefeso que veio alterar toda a minha vida.

Há oito meses que a minha vida mudou. E para além de todas aquelas merdas que se dizem - e que até são verdade! - que ser mãe é a melhor coisa do mundo - e é! - também traz alguns dissabores.

A vida passou a resumir-se a muito pouca coisa, que afinal é o mais importante. A criança, obviamente. Levantar, preparar a criança, levar a criança a escola, trabalhar, ir buscar criança a escola, brincar com a criança, preparar o jantar da criança, preparar a mochila da criança, dar o jantar a criança, dar banho a criança, adormecer a criança. A vida começa cerca das 20h. A vida que resta inclui fazer o jantar, jantar... e acaba. Porque o cansaço é tão grande que a vida começa às 20h e acaba as 22h30 em dias de sorte.

Olho-me no espelho e não gosto do que vejo. Do resultado final após 39 semanas e 4 dias de uma gravidez sem problemas e sem sobressaltos. O resultado foi uma barriguinha de 2 meses irritantemente persistente apesar do peso ser igual ao período que antecedeu a gravidez (planeiada e desejada, digo eu a quem se esteja a perguntar).

Exercício físico seria a solução. Sim. Concordo. Têm toda a razão. Não tenho vontade. Não gosto de me ver, mas não tenho vontade nenhuma. Não tenho tempo. Quando tenho tempo prefiro fazer outras coisas de que gosto, como ler ou dormir.

Estou portanto barriguda e, até há cerca de uma semana ou duas, andei peluda. Não havia dinheiro para ir até à esteticista. Até que me chamaram basicamente desleixada e comprei aquelas bandas de cera e fiz em casa. Não ficou profissional mas tirei a bigodaça e passei a ter duas sobrançelhas em vez de uma. Peguei numa gillette e tratei das pernas. Não é bonito fazer sombra ao Abominável Homem das Neves.

Ser mãe é lindo. É. Mas tenho saudades de mim própria, de dormir decentemente uma noite inteira sem a preocupação de me levantar para dar o biberão, para ver se respira, se não vomitou quando tossiu, se não se mijou até às orelhas ou pior. Tenho saudades de ver um filme sem 1500 momentos de pausa. De ter um final de tarde sossegado sem pensar em que roupa lhe vou mudar amanhã para a creche ou de que legume vai ser a sopa mais logo. Saudades de devorar um livro numa tarde. De estar horas no banho.

Cumprimentos,

d' A Mãe que não tem férias

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